Exílio
O Estrangeiro é um hexagrama do I Ching, que também se lê como O Viajante, aquele que se move entre os mundos, mas que não pertence inteiramente a nenhum lugar.
Se me perguntarem agora, direi que venho de um pais chamado Tristeza, mas que, algum dia, voltarei à Alegria. Talvez não a Euforia de antes, em toda a sua inteireza, quase utopia, mas alguma outra, uma alegria que celebre a Esperança.
Pequena e verde, a Esperança, como o veio de um rio, que abre caminho, decidido a não cessar. E então escuto o que me diz o marulhar que serpenteia nas paredes. Ainda estamos aqui, segreda em meu ouvido o fluxo das águas que se encolhe e se avoluma.
Como são bonitas as cidades desse país chamado Alegria, com seus caminhos definidos pela geometria de saudades infinitas. Como são plenos os seus vilarejos, onde os homens vivem livres e sem medo. Como são firmes as suas casas liquefeitas.
O que farei desse meu coração selvagem que navega? Quais portos ainda posso avistar? Junto ao mar, como se colasse o ouvido a uma concha.
Já não entendo se me dizem que desista, já não aceito que me revelem quem eu sou. Só o Oceano me sabe, em minha força e desdita. Em meio ao burburinho, escuto o mar. Como se todas as águas se organizassem na expressão de uma mensagem única.
Um, dois, três. Respire.
Ainda estamos aqui, abrigados no Oceano. É azul e calmo. Olho pela fresta da janela e vejo as ondas, majestosas em suas cristas. Reverencio Iemanjá, molhando as mãos em suas águas e fazendo uma cruz na nuca antes de mergulhar.


Poesia boa.
Sempre duas ou três daquelas frases boas para fazer quadro ou bordar numa almofada
“Como são bonitas as cidades desse país chamado Alegria, com seus caminhos definidos pela geometria de saudades infinitas.”